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Painel da Poesia
Postado em: 25/01/2012 às 15h51
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Celso Pinheiro

CELSO PINHEIRO

 
Celso Pinheiro nasceu na cidade piauiense de Barras aos 24 de novembro de 1877, mesmo ano do nascimento de José de Arimathéa Tito e Esmaragdo de Freitas e Sousa, o primeiro também barrense e outro da Vila da Manga, depois Colônia de São Pedro de Alcântara e afinal Floriano, no Piauí. Era Celso filho do terceiro casamento de João José Pinheiro desta vez com Raimunda Lima Pinheiro.
 
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Em 1902, jovem de 15 anos, já redigia, ao lado de Arimathéa, ambos alunos do velho Liceu Piauiense, o órgão estudantil "A Idéia". Em 1903, faz parte de "Esperança", de grêmio literário. Sucede-se a sua participação em folhas jornalísticas: "Andorinha", "Arrebol", "Mensageiro" (1904), "O Operário" (1906), "Alvorada" (1909) - entre outras. Convive desde a mocidade com os mais destacados intelectuais do seu tempo: Abdias Neves, Antonino Freire, Miguel Rosa, Clodoaldo Freitas, Joel Oliveira, Arimathéa Tito, Simplício Mendes, Zito Batista, Da Costa e Silva, Adolfo Alencar, Esmaragdo de Freitas, Benedito Pestana, Raul Nei da Silva, Jônatas Batista, Antônio Chaves, Mário Batista, Alcides e Lucídio Freitas, Cristino Castelo Branco, Baurélio Mangabeira, Higino Cunha, Matias Olimpio, Valdivino Tito, João Pinheiro, Saraiva de Lemos, Elias Martins, Pedro Borges, Nogueira Tapeti, Fenelon Castelo Branco, Odilo Costa, Anísio Brito, Benjamin Batista, Eurípedes Aguiar, Antonio Neves, Julio Martins Vieira, Durvalino Couto, Veras de Holanda, Cirilo Chaves, Vaz da Costa, Anízio Cavalcanti, Claudio Pacheco - e outros que a memória não reteve.
 
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Em 1907, saia "Almas Irmãs", volume de versos elaborados por Celso, Zito Batista e Antonino Chaves.
 
Entre 1912 e 1917, Celso publicou "Flor Incógnita", versos, "Poesias", alentado volume, publicou-se no ano de 1939, sob os auspícios da Academia Piauiense de Letras e do governo piauiense, em que se reuniu grande quantidade de poemas do consagrado artista do verso.
 
A quase totalidade da obra de Celso Pinheiro permanece inédita. Ele organizou-a em vida distribuindo-a em 16 títulos: "Prosa", 2 volumes - discursos, conferencias; crônicas, cartas, artigos de jornal; e poesia, mais de quatro mil sonetos, poemas de outras formas e sátiras políticas, com as seguintes denominações: "Cuore", dedicado aos pais, aos irmãos, aos filhos; "Flor Incógnita", para a esposa; "Dona Tristeza",a  companheira permanente das suas angustias; "Sombras", para as moças tuberculosas do tempo em que viveu; "Dindinha", a babá da meninice; "Tear de Sol", 3 volumes, subtitulado "Spleen", versos dos sofrimentos íntimos; "Poemas de Maio", plenos de religiosidade; "Poetes", a suavidade e a beleza dos crepúsculos; "Hino à França"; "Jardim de Mulheres", 2 volumes, enaltecimento às eternas namoradas do homem; "No Jardim de Academus", homenagem aos intelectuais do Piauí; "Estepes", de vário assunto; "Poemas da Morte", penúltimo livro, para o poeta o próprio canto de cisne; "Coroa de Espinho", terminado uma semana antes da morte do poeta.
 
De assunto político deixou para publicação: "O Incendiário de Teresina", "Demócrito de Sousa Filho", "Fernando de Noronha", "União Democrática Nacional do Piauí", "Da Constituição" e "Euripidianas".
 
Estas obras tratam dos terríveis dias dos incêndios criminosos na capital piauiense, primeiros anos da década de 40; do assassinato de jovem estudante num comício do Recife, em 1945; da ilha transformada em presídio, onde se recolheram os acusados de idéias socialistas, entre os quais o filho Celso Pinheiro Filho, espancado, serviciado e aleijado pela truculência policial; do grêmio partidário tão combatido pelo poeta, que militava no Partido Social Democrático; comentários sobre a Constituição do Piauí, elaborada no governo Rocha Furtado, em 1947, e finalmente das sátiras impiedosas que Celso dirigiu ao seu adversário, o terrível jornalista Eurípedes de Aguiar.
 
São obras que assinalam uma época de formidáveis paixões do partidarismo político piauiense.
 
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Vários fatores fazem a obra literária, mas a estética não se preocupa com exame da biografia do autor, ponto de partida da crítica psicanalítica. As concepções da literatura procedem das neuroses e dos sofrimentos do homem. Celso Pinheiro não se desgarraria da norma. Desde cedo sofreu física e espiritualmente. Milionário de angústias íntimas, alucinado de dor, contempla os martírios que a vida lhe impõe e constrói os versos científicos de que abarrota gavetas e armários caseiros. Ele mesmo conta a sua história sem remédio em cada poema que lhe colhe da lama em pranto.
 
Augusto dos Anjos realizou Eu com pedaços do coração maltratado. Deflorou e engravidou Maria, de humilde condição social. A mãe do poeta, senhora de engenho, mandou surrar a menina, que morreu da surra - ela e o rebento da barriga. Augusto sofreu conseqüências violentas desse drama doméstico, e tornou-se melancólico. Contou a tragédia no seu livro de tantas edições, acima referido. José Lins do Rego, conterrâneo do poeta, disse que ele escondia uma mágoa secreta, um rancor contra a própria mãe.
 
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Em 1972, sustentei que Martins Napoleão, magnífico poeta, aceitava nos seus poemas a morte como processo de extermínio do sofrimento. Assim como Celso Pinheiro, foi Napoleão, no uso da palavra como conteúdo da poesia, como mensagem poética. Em Tomás Gonzaga, tudo se expressa nos adjetivos formoso, lindo. Duro é o adjetivo de Camões. Em Álvares de Azevedo, pálido, lívido, frio. Napoleão se revela em essência pelo conceito: lágrima, pedra, sofrimento, amor, pedra, morte.
 
Celso Pinheiro consubstancia a angústia do homem do homem martirizado pela crueldade da vida. Os versos revelam o seu verdadeiro psiquismo. Emoção a cada instante e o vazio da alma fazem dele um dos grandes poetas nacionais. A dor possessiva sublimou-o em comoventes criações poéticas, que não pertencem ao parnasianismo nem ao simbolismo, como quis Agripino Grieco. Penso que ele pretendeu, da forma que Horácio de Almeida sentiu em Augusto dos Anjos, ocultar o pensamento, num modo de interpretar os profundos e martirizantes sentimentos íntimos e entregá-los ao mundo objetivo.
 
CREPÚSCULO
Celso Pinheiro

Crepúsculo. Dlin, dlon... Sinos gemendo aos dobres
Há paisagens no Céu e paisagens na Terra.
A alma branca da Torre e a alma verde da Serra,
Concentram-se a rezar, tristonhamente nobres...

A hemoptise da Luz mancha a toalha do rio...
Caravelas e naus, como enormes aranhas,
Em reverberações magníficas e estranhas,
Sobre as águas, a arfar, têm bailados de cio... 

Chove, empastando o mato, uns filetes de sangue

Como cordas de sol do tear da Mocidade:
É a virgem-Natureza estuando em puberdade
Para a fecundação da Noite linda e langue...

Os velhos buritis dos confins da Floresta,

Vão pregando o Evangelho entre cardos e espinhos,
E a árvore seca, a rir, com seus frutos de ninhos,
É uma árvore de Natal engalanada em festa...

Chopin estende as mãos sobre as teclas de Poentex

E arranca a sinfonia estética das cores,
Enquanto nos vergéis as pequeninas flores
São mil bocas a arder na tarde flavescente!...

A poesia Crepúsculo foi retirada do blog literário de Elmar Carvalho 180 graus
 
 
A. Tito Filho - In: Revista Presença, Ano VIII, 19, Teresina, Março/Dezembro, 1987, pág. 52-53.


 
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